Conferências

Dia 1
05 maio 2019
Dia 2
06 maio 2019
Dia 3
07 maio 2019
Dia 4
08 maio 2019
Dia 5
09 maio 2019

A linguística, esta ciência que nos identifica e nos envolve

Conferencista: Maria Helena Mira Mateus

Vagas: 650

Nas fronteiras da linguagem, uma geração: da rebeldia e da responsabilidade

Conferencista: Eni Orlandi

Vagas: 250

Anos 60/70 do século XX. No mundo todo havia movimentos de explosão em relação ao que existia e era contestado pelos jovens em suas propostas de novos sentidos. Rebeldia, confrontos, explosão de limites. Nós, tínhamos confrontos diferenciados, mas nem sempre distintos: com as tradições e com a ditadura.

Reconstrução além das proto-linguagens no Andes Central

Conferencista: Willem Adelaar

Vagas: 220

A questão da natureza da relação existente entre as duas principais famílias linguísticas andinas, aiamarana e quíchua, dividiu os linguistas históricos e outros pesquisadores por pelo menos quatro séculos. Poderiam as numerosas semelhanças entre esses dois grupos linguísticos ser atribuídas à herança comum, ou ao contato linguístico e ao empréstimo extensivo? Pesquisas recentes têm mostrado que profundas diferenças formais na morfologia e na estrutura das raízes, bem como a relativa escassez de elementos compartilhados no vocabulário básico de ambas as famílias linguísticas, favorecem a conclusão de que o contato linguístico e o empréstimo extensivo podem explicar a maioria das semelhanças, ao invés da herança comum. Ao mesmo tempo, os resultados esclareceram que a maioria dos elementos compartilhados foi trocada durante ou antes da gênese das proto-línguas de ambas as famílias, porque todas as línguas atuais, embora conservadoras, preservam traços persistentes desse contato inicial. Posteriormente, tornou-se possível desenvolver critérios para a atribuição de elementos compartilhados a uma ou outra das duas linhagens linguísticas e, assim, estabelecer perfis das principais características de cada linhagem antes do primeiro contato. Um passo final seria uma reavaliação da questão de saber se as duas linhagens poderiam ser genealogicamente relacionadas em algum nível histórico mais remoto.

Operações fundamentais da linguagem: reflexões sobre o design ideal

Conferencista: Noam Chomsky

Vagas: 650

 Participação por Webconferência

Há 20 anos, em falas realizadas em Brasília, eu sugeri que nós poderíamos descobrir um dia que a faculdade da linguagem FL é “belamente desenhada, uma solução quase perfeita para as condições impostas pela arquitetura geral da mente-cérebro em que está inserida, um outro exemplo de como as leis naturais operam de maneiras maravilhosas”, de modo que a linguagem é mais como um floco de neve, e pode-se esperar que o design quase perfeito imponha ineficiência de uso. Eu acrescentei que “isso são fábulas” com o valor redimível de que elas “podem até vir a ter alguns elementos validáveis”.

Desde então, razões sólidas têm sido encontradas para sugerir que essas esperanças foram subestimadas, e que a “fábula” – A Tese Minimalista Forte – parece ter uma validade considerável. Um número de propriedades marcantes e intrigantes da FL – “universais da linguagem” no sentido contemporâneo – tem sido apresentado para derivar desde a operação computacional mais simples, Merge (Concatenar), até condições de eficiência computacional que são efetivamente parte das leis naturais. E como previsto, elas realmente impõem ineficiência comunicativa.

Mas o conceito de Merge que tem sido utilizado nessas pesquisas tem sido colocado em aberto de maneiras que permitem aplicações inaceitáveis, geralmente apresentadas como explicações, apesar de elas serem melhor compreendidas, eu penso, como descrições de problemas a serem resolvidos. Precisamos de uma compreensão mais profunda do que parecem ser os mecanismos fundamentais da linguagem. Uma abordagem natural é considerar as condições gerais que as operações da linguagem devem satisfazer e derivar a partir delas um refinamento de Merge que é discutivelmente ótimo e que se restringe a aplicações legítimas, deixando os enigmas a serem resolvidos.

Irei revisar recentes passos que foram dados para alcançar esses objetivos e também para aperfeiçoar e melhorar os conceitos relacionados à GU (Gramática Universal).

Dar às inovações e aos inovadores uma “voz” – A pesquisa da Prosódia como um impulsionador do progresso tecnológico e do empreendedorismo

Conferencista: Oliver Niebuhr

Vagas: 250

A comunicação oral é tipicamente pensada em termos de palavras. De fato, as palavras são importantes, mas o que realmente impulsiona as relações privadas e de negócios é a voz, ou seja, as variações sistemáticas que os falantes produzem em tom, volume, tempo, ritmo e timbre. Os seres humanos são seres sociais. Emoções, atitudes, sinais de hierarquia social e indicações de dor e estresse são, em primeiro lugar, transmitidas pela voz do falante. Se as palavras fossem suficientes, trocar cartas ou mensagens de texto curtas também seria suficiente, e uma grande invenção nunca teria sido tão bem-sucedida como foi: o telefone.
 
Foi exatamente há 140 anos (1878) que o fonoaudiólogo e inventor escocês A.G. Bell iniciou a primeira chamada de longa distância de Boston para Nova York. A Bell Telephone Company começou com 778 clientes. Seu número cresceu rapidamente para 3.000. No início da década de 1880, a empresa já tinha mais de 100.000 clientes; e, na virada do século, havia bem mais de um milhão de pessoas que usavam telefones regularmente. Hoje, a quantidade de contratos por telefone excede a quantidade de pessoas no planeta.
 
Mas qual foi a próxima grande invenção relacionada às vozes humanas depois do telefone? Respostas espontâneas e inquestionáveis não são fáceis, exceto, talvez, interfaces homem-máquina como Alexa e Siri. No entanto, gostamos mesmo de conversar com essas interfaces? Apesar de serem muito boas na compreensão e na produção de palavras, seu tom de voz nos faz rir e muitas vezes nos parece estranho ou até mesmo inapropriado.
 
O que se argumenta aqui é que a combinação de recursos da voz humana com o avanço tecnológico da atualidade possui um tremendo potencial de inovação. Um vislumbre desse potencial é delineado, com base em uma pequena seleção de exemplos de várias áreas da tecnologia (de informação). Essas áreas abrangem desde tecnologia médica, passando por sistemas de aprimoramento de fala até tecnologia persuasiva e design de som.

Uma visão de como a teoria linguística e a pesquisa em aquisição podem enriquecer a pedagogia

Conferencista: Tom Roeper

Vagas: 220

Um processo fonológico, seu uso e suas múltiplas faces: a palatalização das oclusivas dentais no Português Brasileiro

Conferencista: Dermeval da Hora

Vagas: 250

Teorizando sobre a sintaxe da linguagem humana: uma alternativa radical aos formalismos gerativos

Conferencista: Geoff Pullum

Vagas: 220

Variação individual versus comunitária em fonética e fonologia

Conferencista: Andries Coetzee

Vagas: 250

A tradição de pesquisa fonética / fonológica das últimas cinco ou seis décadas tendeu a tratar as línguas como sistemas predominantemente invariantes que pode ser submetido à descrição e análise (por exemplo, a estrutura silábica da línguas X, a acústica das sibilantes na línguas Y, etc.). Pesquisas mais recentes, no entanto, têm procurado reconhecer a variação entre falantes individuais, mesmo dentro da mesma comunidade de fala. Nesta apresentação, revisarei a mudança de foco das línguas como sistemas invariantes para seus falantes individuais, e questionarei a relação entre os indivíduos, as comunidades de fala das quais eles participam e as línguas (ou variedades) que falam. Mostrarei que essas relações são complexas e multifacetadas e defenderei que qualquer compreensão abrangente da capacidade humana para a linguagem requer uma compreensão da complexa dinâmica dessas relações. A apresentação se baseará principalmente na variação fonética observada em três diferentes comunidades de falantes de africâner, cada um tendo uma relação diferente com a língua e a identidade a ela associada: os falantes do chamado africâner “padrão” e o africâner “de cor” na África do Sul, e falantes de uma pequena comunidade de expatriados na Patagônia, Argentina. Argumentarei que a compreensão dos padrões únicos de variação em cada uma dessas comunidades depende da compreensão de como os membros das comunidades se relacionam com as comunidades de fala das quais participam e com a maior identidade cultural associada à língua.

Que linguagem é a nossa?

Conferencista: José Morais

Vagas: 220

A maioria das pessoas do nosso meio são alfabetizadas. O principal objetivo da minha apresentação é examinar em que aspectos, em que medida e como, nossa linguagem letrada difere da de analfabetos ou alfabetizados pobres. Vou desafiar a visão dominante em linguística e ciência cognitiva que descreve como universal uma linguagem que é claramente característica de pessoas alfabetizadas. Argumentarei que a alfabetização mudou drasticamente pelo menos os seguintes aspectos da linguagem e cognição: conhecimento consciente da linguagem, processamento da linguagem falada nos níveis lexical e sintático da estrutura, organização neural do sistema de linguagem, memória verbal, conhecimento conceitual e raciocínio. .

O impacto da escrita no desenvolvimento humano cognitivo tem sido maravilhoso, mas, como é comum com as tecnologias, a alfabetização e os resultados de alfabetização que gerou têm sido desde então o privilégio das classes dominantes. Os alfabetizados e os cientistas, em particular, devem estar cientes de que a alfabetização e a ciência são usadas como instrumentos para o domínio social nas novas formas de capitalismo e governança. A educação para a alfabetização também deve ser educação para uma verdadeira democracia. Isso implica uma grande questão: o que devemos fazer agora?

Sobre o papel da cultura na gramática e na cognição

Conferencista: Dan Everett

Vagas: 650

Esta palestra fornece uma visão geral de algumas pesquisas recentes sobre como a cultura está implicada na compreensão da cognição humana. Em particular, reviso estudos sobre a influência da cultura na memória de curto prazo, na percepção visual, na gramática, na cognição numérica e na evolução da linguagem. Também forneço uma lista de desideratos para metodologia de pesquisa sobre as conexões entre cultura e cognição e uma direção para pesquisas futuras.

Falar atravessado e xacoco: o racismo linguístico do Brasil

Conferencista: Marcos Bagno

Vagas: 600

O racismo é constitutivo da sociedade brasileira, de modo que ele se manifesta em todas as esferas públicas e privadas, incluindo a produção e a reprodução do conhecimento institucionalizado. Desde que se iniciou o debate em torno das características particulares do português brasileiro, gerações de intelectuais – escritores, filólogos, linguistas, professores -, todos homens, brancos e da elite, têm se empenhado em negar o impacto avassalador das línguas africanas e seus falantes na constituição da língua majoritária da nossa população, população hoje em sua maioria negra e mestiça, sujeita à violência simbólica e física, quando não a um genocídio sistemático. O conferencista passará em revista as diversas manifestações desse racismo linguístico, desde o período pós-independência até os dias de hoje, delineando a formação bicentenária de um discurso que, sob falsas premissas de cientificidade, contribui para a preservação de um modelo de sociedade injusto, excludente e segregador.