Cursos

Dia 1
02 maio 2019

Discurso e Emoções: Como escrever uma história de medo na era da ansiedade?

Professor: Jean-Jacques Courtine

Data de início: 02/05/2019
Data de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Na virada do século XX, tanto na Europa quanto na América, novas ameaças foram repentinamente sentidas, novos perigos vieram à tona. Na arena política, como no mercado, no alvorecer da sociedade de massa e em uma época de grandes mudanças políticas e econômicas, os indivíduos foram contaminados por formas de medo difusas, dispersas, pouco claras, flutuantes e contagiantes. Não demorou muito para a psicopatologia identificar esse indivíduo e o afeto em massa como “ansiedade”. Mas “se o medo não precisa de uma introdução”, como Freud costumava dizer, a ansiedade certamente precisa, e é acerca disso que trata este curso: como escrever a história contemporânea de uma emoção nômade e passageira sem objeto fixo ou identificável? E, se a ansiedade pode ser descrita como um tipo de medo sem objeto – ou, antes, como um objeto sobre o qual pouco sabemos – então o discurso, as palavras e a linguagem podem ser sua existência material essencial: a ansiedade pode ser o medo que dizemos temer. O curso apresentará perspectivas gerais e teóricas, ilustradas com exemplos históricos e discursivos, extraídos de nosso atual estado de medo, das notícias cotidianas ao terrorismo… e das últimas eleições presidenciais americanas. O curso será ministrado em francês.

A relação entre produção e percepção na mudança de som

Professor: Andries Coetzee

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

As teorias existentes sobre mudanças fônicas concentram-se no papel dos falantes ou no papel dos ouvintes. No entanto, os membros de uma comunidade de fala são, naturalmente, falantes e ouvintes de sua língua. Este curso investigará a relação entre os padrões de produção e percepção de usuários individuais de línguas em mudanças fônicas contínuas. Questões como as que seguem serão consideradas: Os padrões de produção e percepção de um falante mudam simultaneamente, ou mudam em uma modalidade que antecede a outra? Os falantes inovadores (aqueles que promovem uma mudança fônica) também são necessariamente ouvintes inovadores? Essas questões serão exploradas com base em pesquisas recentes que enfocam uma variedade de línguas, incluindo o inglês, o africânder, o kera, diferentes variedades de chinês, etc. Os participantes também serão incentivados a usar suas próprias experiências para desenvolver projetos de pesquisa relacionados a esse tópico. O curso será ministrado em inglês.

Teorias e Práticas de Aprendizagem Fonética em Segunda Língua

Professor: Xinchun Wang

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Alunos de uma segunda língua (L2) muitas vezes têm dificuldades na percepção e produção dos sons e na prosódia da fala da língua-alvo. Apesar dessas dificuldades, estudos de treinamento mostraram que o treinamento baseado em computador bem projetado é eficaz para melhorar a percepção e a produção de uma segunda língua. Este curso ensina teorias e práticas da aprendizagem fonética de L2. O curso tem como objetivo ajudar aqueles que estão interessados ​​em ensinar a pronúncia L2, ou aqueles que querem melhorar sua própria pronúncia de L2. O curso começa com uma breve introdução às atuais teorias de aprendizagem fonética de L2, o Modelo de Assimilação Perceptual (PAM) e o Modelo de Aprendizagem de Fala. Essas teorias são discutidas com estudos empíricos sobre percepção e produção de fala interlinguística. Os tópicos incluem fatores que contribuem para problemas de aprendizado fonético de L2 (por exemplo, idade de aprendizado, experiência de L2, histórico de L1) e os objetivos do ensino de pronúncia: melhorar a inteligibilidade e a compreensibilidade. O curso também se concentra no efeito de diferentes treinamentos fonéticos na aprendizagem de L2. Experimentos de treinamento fonético com diferentes métodos de treinamento são discutidos e comparados. O métodos incluem apresentações, discussões em sala de aula e atividades práticas que fornecem oportunidades para os alunos aprenderem a coleta e análise de dados de fala para fins de pesquisa e prática. O curso será ministrado em língua inglesa.

Ensino de Gramática na Escola

Interpretação em LIBRAS

Professores: Tom Roeper, Marcus Maia & Eloisa Pilati

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O minicurso será composto por três módulos de três horas focados na interface entre conhecimento gramatical e educação. No módulo de Tom Roeper, haverá tradução para o português.

(1) Linguística, gramática e aprendizagem ativa, Eloisa Pilati (UnB): (a) Uma breve história do ensino de gramática na legislação brasileira (PCNs e BNCC); (b) Conceitos Fundamentais de Aprendizagem Ativa e Teoria Gerativa; (c) Estudos de caso: padrões gramaticais do Português Brasileiro.

(2) Como a complexidade gramatical pode ser o Núcleo da Gramática e do Currículo Escolar, Tom Roeper (UMass, Amherst): Pode ser instrutivo e divertido falar sobre complexidade sintática. E é o lugar mais revelador para se descobrir os princípios da gramática. Existem quatro formas que atingem o centro nuclear da gramática: (a) Recursividade. Em inglês, pode-se concatenar recursivamente os adjetivos à esquerda do nome, mas não em espanhol: the big, strange, funny hats. Assim, precisamos de uma regra para expressar este fato. E podemos vir a formulá-la; (b) Regras de longa distância. Há regras de longa distância: what did John say Bill said Fred wanted; (c) Quantificação. Na quantificação, é a interação de quantificadores que é reveladora: Three boys saw every hat/ Every boy saw three hats. No primeiro exemplo, trata-se dos mesmos three boys, mas no segundo, podem ser chapéus diferentes; (d) Elipse. Finalmente, a elipse demonstra que podemos manter as frases disponíveis e nos referirmos a elas, mesmo se não a pronunciamos e mesmo se forem ambíguas: John liked Bill more than Susan. Vamos ilustrar com experimentos com crianças como estas perguntas podem ser feitas a alunos do ensino médio e revelar propriedades básicas da gramática.

(3) Pensando sintaticamente, experimentalmente e educacionalmente, Marcus Maia (UFRJ / CNPq): A aula começará propondo-se exercícios práticos com dados de rastreamento ocular sobre a leitura de (a) Períodos complexos comparando encaixes subordinativos e orações justapostas; (b) O tópico frasal na leitura de períodos compostos por subordinação; (c) Frases temporariamente ambíguas. A técnica de rastreamento ocular será então introduzida como um dispositivo metacognitivo para ajudar a desencadear a capacidade de formação científica dos alunos e a consciência metalinguística, com potencial para melhorar as suas habilidades de leitura.

Mudança linguística: processo social e cognitivo 

Professor: Marcos Bagno

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O fenômeno da mudança das línguas serviu de estopim para a construção de uma ciência linguística na segunda metade do século XIX, totalmente voltada para o estudo dos processos diacrônicos, suas causas e consequências. De fato, a mudança linguística é a razão de ser da filologia comparativa oitocentista como também tinha sido, ainda na Antiguidade, o principal motivo para a constituição da doutrina gramatical, destinada a preservar a língua da corrupção, ou seja, da mudança. Mesmo as escolas de pensamento linguístico que têm se oposto ao estudo da diacronia, como o estruturalismo clássico e o gerativismo, fazem da mudança linguística seu objeto por negação, o que demonstra sua importância. A sociolinguística variacionista, a partir da década de 1970, fez avançar o conhecimento dos fatores de mudança ao relacioná-los com os processos de variação social, advogando por uma visão pancrônica dos fatos de língua. Mais recentemente, os progressos das ciências cognitivas têm auxiliado a compreender a mudança linguística como resultante de processamentos da linguagem decorrentes das capacidades cognitivas da espécie humana. O curso faz uma recapitulação da história dessas teorias e métodos para chegar à definição da mudança linguística como um fenômeno de natureza sociocognitiva, em que o individual e o social interagem incessantemente.

A Sintaxe do Inglês: Fundamentos Teóricos e Detalhes Descritivos

Professor: Geoff Pullum

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O inglês é a língua mais importante do mundo, usada todos os dias por entre um e dois bilhões de pessoas e reconhecida oficialmente para fins governamentais em cerca de 60 países. A instrução na língua inglesa é um grande negócio mundial que exige descrições precisas, acessíveis e abrangentes. Infelizmente, o estudo da gramática inglesa padrão está em péssimo estado. Os livros didáticos promulgam mitos, meias-verdades, definições confusas, análises ruins e falsas generalizações que deveriam ter sido abandonadas há pelo menos 200 anos. Uma grande tentativa de remediar esta situação foi a produção da Cambridge Grammar of the English Language (CGEL), co-autoria de Rodney Huddleston e Geoff Pullum, com a colaboração de uma dúzia de outros linguistas. A gramática incorpora muitos insights que foram descobertos ao longo das últimas seis décadas de trabalho em lingüística gerativa, sem tratar nenhuma teoria como sacrossanta. Respeita o trabalho anterior da gramática le língua inglesa, sempre que possível, mas rompe com o trabalho tradicional e moderno (e com a terminologia a ele associada) sempre que se pode argumentar que é incoerente. Excepcionalmente, tenta ser abrangente, lidando não apenas com áreas de importância teórica selecionadas, mas com toda a panóplia de construções gramaticais vistas na estrutura das sentenças em inglês. Este curso apresenta as abordagens e os modos de análise característicos da CGEL, mantendo a teoria gramatical e sua base factual simultaneamente em foco. Ilustra algumas das maneiras pelas quais a descrição da CGEL afasta-se radicalmente das suposições amplamente aceitas e explica por quê. Também incorpora pesquisas de alguns conjuntos de fatos ricos e interessantes. O curso destina-se a uma ampla variedade de acadêmicos, professores, editores, escritores e outros interessados ​​na língua inglês. Não pressupõe qualquer estudo avançado da linguística teórica contemporânea. O curso será lecionado em inglês.

A Origem da Linguagem: 60.000 gerações de falantes

Professor: Daniel Everett

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Como e quando começou a linguagem humana? Uma proposta comum é que as línguas de nossa espécie apareceram subitamente entre 150.000 e 250.000 anos atrás, com o Homo sapiens. A evidência a favor desta hipótese é relativamente frágil, mas geralmente supõe que os símbolos surgiram com a arte, a gramática e as ferramentas mais sofisticadas da nossa espécie. Segundo esta proposta, as outras espécies de nosso gênero Homo, tais como erectus e neanderthalensis, foram extintos porque não tinham linguagem e, portanto, não podiam concorrer com os sapiens. Neste curso reveremos a evidência arqueológica e defenderemos uma proposta alternativa, a saber: a linguagem humana começou aos poucos, há 3 milhões de anos, com o Australopithecus africanus e aflorou definitivamente com o Homo erectus, há 2 milhões de anos. Consideraremos a evolução do cérebro, do aparato fonador e da semiologia (a partir de uma perspectiva Peirceana). Definiremos a língua como a transmissão de informação através de símbolos triádicos (e não diádicos, como na tradição saussureana) e que o Homo sapiens nasceu num mundo linguístico. Veremos que a gramática surgiu a partir de símbolos e não o inverso. Veremos ainda que a gramática é apenas uma parte (nem tão significativa) da linguagem humana, sendo consequência do uso de símbolos já existentes. Apresentaremos exemplos diversos, como a evolução da linguagem dos pássaros e de outras espécies, e concluiremos que sistemas não-simbólicos (como os das demais espécies) não têm relação direta com a evolução da linguagem humana. Como veremos no curso, se assumirmos a origem da linguagem como algo gradual, com base na evolução da cultura e da cognição humana, não será necessário propor explicações desnecessárias, tais como uma mutação genética ou uma “gramatica universal” para explicar a origem da linguagem. Este curso é dedicado aos meus dois orientadores: Prof. Dr. Aryon D. Rodrigues e Profa. Dra. Charlotte C. Galves.

Semiótica e Retórica

Professor: José Luiz Fiorin

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Este curso tem por objetivo mostrar as relações entre a semiótica e a retórica. Como a retórica estudou, de um lado, a construção discursiva dos argumentos e, de outro, a dimensão antifônica (antiphonic) dos discursos, a semiótica deve herdar a retórica, ou seja, lê-la à luz dos problemas teóricos enunciados na atualidade. Herdar a retórica significa, pois, de uma parte, levando em consideração séculos de estudos já realizados, descrever, com as bases dos estudos discursivos atuais, os procedimentos discursivos que possibilitam ao enunciador produzir efeitos de sentido que permitem fazer o enunciatário crer naquilo que foi dito; de outra, analisar o modo de funcionamento real da argumentatividade, ou seja, o dialogismo presente na argumentação.

Entendendo e treinando os fundamentos prosódicos de apresentações e negociações bem-sucedidas em uma perspectiva interlinguística

Professor: Oliver Niebuhr

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Já existem muitos cursos sobre liderança e retórica que focam de maneira adequada o uso correto das palavras no discurso. As palavras são – tanto quanto isso é possível – elementos claramente definidos e de fácil compreensão no discurso. Portanto, é relativamente simples ensinar e aprender a escolha correta de palavras para falar em público, especialmente porque sabemos os significados e a pronúncia correta das palavras (contexto / estilo específico), desde a mais tenra infância. Mas, e quanto ao “como” e aos padrões prosódicos da fala em particular? Quando se trata de apresentações e negociações bem-sucedidas, muitos estudos científicos sugerem que a prosódia da fala é um instrumento retórico ainda mais importante do que a palavra. No entanto, na retórica, a prosódia da fala tem sido amplamente representada e conceituada por termos como “animado”, “fluente” etc. Termos como estes dificilmente podem ser objetivados, treinados e padronizados de forma eficaz e padronizada, tanto para aprendizes quanto para treinadores, numa perspectiva cross-lingüística e cross-cultural. Neste contexto, este curso oferece aos participantes uma visão geral de como apresentações e negociações bem-sucedidas podem ser traduzidas em parâmetros acústicos e configurações de parâmetros de prosódia de fala. Após uma breve introdução aos princípios básicos da fonética prosódica e fonologia / tipologia (dia 1), os participantes aprenderão em um estudo de caso prático (dia 2) como o carisma do falante pode ser avaliado e analisado (levando em conta contexto, o gênero e fatores de linguagem), e vão praticar como se tornar um falante mais carismático. O curso é concluído por outro estudo de caso prático analogamente estruturado (dia 3) que enfoca o fenômeno do entrainment prosódico, seu treinamento ativo e seu papel em negociações bem-sucedidas. Este curso será ministrado em inglês.

Tipologia das Línguas de Sinais: Padrões e Variações

Professor: Roland Pfau

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Nos últimos 50 anos, a pesquisa em linguística sobre línguas de sinais demonstrou que as línguas de sinais são línguas naturais plenas, com estrutura gramatical complexa em todos os níveis de descrição linguística. Neste curso, apresentaremos uma perspectiva tipológica sobre aspectos selecionados da gramática e do léxico das línguas de sinais. Os seguintes tópicos serão abordados: (i) Morfossintaxe: o uso do espaço para fins gramaticais; (ii) Sintaxe: a expressão da negação sentencial; (iii) Léxico: campos semânticos como termos de cor e numerais. Os dados serão extraídos de línguas de sinais de diversas origens geográficas, incluindo as chamadas línguas de sinais de aldeias (ou rurais). Dois tipos de comparação tipológica serão centrais para a discussão. Por um lado, compararemos as estruturas de língua de sinais com as anteriormente descritas para línguas orais (comparação intermodal); por outro lado, as línguas de sinais também serão comparadas entre si (comparação intra-modal). O curso não assume um background em linguística da língua de sinais. As propriedades estruturais relevantes para a discussão serão introduzidas em cada aula. O curso será ministrado em inglês.

Reconstrução interna e histórico de contato: Recuperando o passado lingüístico da América do Sul

Professor: Willem Adelaar

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Este curso trata de diferentes abordagens não-quantitativas que podem ser usadas para a reconstrução de estágios no desenvolvimento de línguas indígenas sul-americanas e famílias de línguas antes de sua documentação inicial. Um meio poderoso para a recuperação de tais estágios precoces da linguagem e um método pouco explorado na pesquisa histórica dedicada às línguas sul-americanas é a reconstrução interna, tanto no nível lexical como no morfológico. Os esforços de reconstrução podem ser expandidos com uma busca sistemática pelo histórico etimológico de itens lexicais e marcadores gramaticais, uma linha de pesquisa que raramente é vista no estudo da maioria das línguas sul-americanas. Um outro campo que pode contribuir para a reconstrução dos estágios da linguagem do passado é o estudo do contato da linguagem em uma perspectiva histórica. Combinando a história de contato e a reconstrução interna, estabelecendo uma cronologia de eventos plausíveis na (pré) história das línguas, torna-se possível alcançar resultados particularmente significativos, como no caso da convergência histórica das grandes famílias de línguas andinas Quechuan e Aymaran. Em outro nível, o estudo de áreas lingüísticas pode funcionar como um meio confiável de recuperar a pegada geográfica deixada pelos idiomas antes que eles cheguem ao seu destino final. Pode ser útil para decidir se um determinado idioma ou grupo de idiomas tem ou não um histórico em uma área em questão.

Gênero, Raça, Sexualidade nas Aulas de Línguas

Professora: Glenda Cristina Valim de Melo

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Tendo como pressupostos que estamos em um momento de alta reflexividade sobre o contexto social em que estamos inseridos e que marcadores corpóreos como gênero social, raça e sexualidade têm sido polemizados nas redes sociais, por movimentos sociais e coletivos diversos em uma constante tentativa de não silenciamento de tais temáticas e também considerá-las relevantes para o ensino em diferentes níveis, este curso visa a discutir as questões identitárias (raça, gênero e sexualidade) em contexto escolar, especificamente nas aulas de línguas, tendo como aporte teórico estudos realizados por pesquisadoras e pesquisadores da área de Linguística Aplicada Brasileira. O conteúdo do curso versa sobre linguagem como performance, performatividade, concepção discursiva e performativa de gênero, raça, sexualidade, teorias queer, os efeitos discursivos nas práticas sociais e a perspectiva de ensino como o trabalho. Com base no exposto anteriormente, a metodologia desse curso envolve leitura de alguns artigos sobre o conteúdo sugerido, apresentação dos conteúdos e debates com as/os participantes do curso, reflexão sobre nossas práticas docentes em sala de aula quanto aos marcadores citados.

Linguagem e identidade na sociolinguística: teorias, métodos, inovações

Professor: Erez Levon

Data de início: 02/05/2018
Data de término: 04/05/0218

Vagas: 50

A linguagem é um aspecto central de como as pessoas constroem e comunicam identidade. Este curso irá discutir diferentes abordagens do estudo da linguagem e da identidade tal como foram desenvolvidas dentro da sociolinguística e áreas afins ao longo dos últimos 50 anos. As questões que serão abordadas incluem: o que é identidade e como a operacionalizamos dentro da pesquisa sociolinguística? Quais práticas linguísticas são relevantes para o trabalho de identidade? Como diferentes tipos de identidades e escalas de experiência interagem para influenciar o comportamento linguístico? Qual é a relação entre a agência individual e o background social no condicionamento dos padrões observados de uso da linguagem? Vamos nos concentrar em algumas das categorias de identidade que dominaram o trabalho em sociolinguística até hoje (por exemplo, classe social, raça, gênero, sexualidade, região), mas também discutir formações sociais que foram mais recentemente abordadas na literatura (persona, postura). Metodologicamente, o curso se baseará em abordagens quantitativas, qualitativas e experimentais, incluindo discussões dos chamados estudos de variação e pesquisa sobre percepção sociolinguística baseados na “terceira onda” (ou seja, no significado social). No final do curso, os alunos terão uma compreensão ampla das diferentes maneiras pelas quais a identidade tem sido tratada na literatura sociolinguística, das opções metodológicas que existem para localizar e examinar a identidade na linguagem, dos fundamentos teóricos dos recentes estudos. Avanços na pesquisa relacionada à identidade e de como o trabalho sobre identidade é relevante para outras áreas de interesse sociolinguístico (por exemplo, pesquisa sobre mudança linguística). Os alunos serão incentivados a usar sua própria experiência e interesses para relacionar os tópicos discutidos no curso com suas próprias pesquisas. Este curso será lecionado em inglês.

Ferramentas computacionais e o estudo do Léxico: recursos para explorar textos do passado e do presente

Professora: Maria José Bocorny Finatto

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Cada vez mais os Estudos do Léxico têm-se se aproximado de enfoques de pesquisa com apoio computacional. Dado o papel central do Léxico, essa aproximação tende a poder ser útil para diferentes tipos de estudos sobre a linguagem, da morfologia de palavras à semântica do texto. Ainda assim, pouco se conhece sobre a utilidade de ferramentas básicas, especialmente as de acesso livre e gratuito, que permitem a exploração de acervos de escrita em suporte digital. Ementa do curso: Ferramentas computacionais e o estudo do Léxico: recursos para explorar textos do passado e do presente Visão geral das áreas de Linguística de Corpus (LC) e de Processamento de Linguagem Natural (PLN): histórico, conceitos básicos e desenvolvimento. Estudos da Linguagem: cientistas da computação e linguistas, encontros e desencontros. Conceitos básicos: corpus, treebanks e outros recursos, medidas estatísticas, níveis de tratamento das línguas naturais, bases de estatística lexical para o português. Ferramentas básicas da LC e do PLN: listadores e contadores de palavras e de agrupamentos de palavras. Técnicas de etiquetação morfossintática. Modelos e técnicas de análise sintática. Modelos formais de representação semântica: semântica lexical e sentencial. Discurso/texto e pragmática: conceitos, modelos e métodos de análise. Sumarização, simplificação, acessibilidade textual e acessibilidade terminológica. Tradução automática e recursos para apoio à tradução humana: a tradução intralingüística.Breve introdução à Aprendizagem de Máquina em PLN. Experimentação com ferramentas de PLN e de LC que envolvam o processamento do léxico do português do século 18 e o português brasileiro atual.

O trabalho escolar com a gramática funcional (a revelada nos textos)

Professora: Maria Helena Moura Neves

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

O curso se dirige pela noção de que o estudo da gramática da língua portuguesa pode e deve centrar-se em reflexões sobre a linguagem nas diferentes situações de uso, nos diferentes gêneros discursivos e nos diferentes tipos de texto. A diretriz central é compor as lições a partir dos processos gramaticais de constituição do enunciado ativados em textos reais.

Os Caminhos da Alfabetização: da pré-alfabetização à alfabetização crítica e criativa, com ênfase no aprendizado para ler e escrever, incluindo métodos de ensino

Professor: José Morais

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Neste curso serão examinados os seguintes tópicos: (1) O conceito de literacia como tipo de capacitação (como difere da noção de letramento) e os níveis de literacia; impacto sobre a cognição e o cérebro; (2) O que é e como procede a (neuro)ciência cognitiva da literacia e, mais especificamente, a psicolinguística experimental da literacia (exemplos de pesquisas); (3) O caso específico da literacia alfabética: principio alfabético e códigos ortográficos; (4) O estádio final da aquisição da literacia alfabética: caracterização das habilidades de leitura e de escrita; (5) Fatores prévios que influenciam o processo de aprendizagem: variáveis sociocognitivas, sociolinguísticas e socioafetivas; (6) Habilidades de leitura/compreensão e habilidades de escrita/produção de texto; (7) Os métodos de ensino; (8) As aquisições iniciais: habilidades meta-fonológicas e consciência fonêmica; discriminação e identificação das letras e grafemas; aquisição do código ortográfico da língua; codificação e decodificação; a fluência na leitura e na escrita; (9) A passagem dos processos controlados e sequenciais de leitura/escrita aos processos não conscientes e automáticos; (10) As dificuldades de aprendizagem da literacia, a dislexia, a necessidade de sua identificação precisa e de acompanhamento específico; (11) A iliteracia adulta e a alfabetização de adultos; (12) Discussão sobre a situação do Brasil relativamente à literacia e sobre como melhorá-la.

Elementos de programação para linguistas: exploração, compilação e anotação de corpora com Python e NLTK

Professor: Leonel Figueiredo de Alencar

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O avanço da tecnologia da informação tem propiciado à pesquisa linguística uma quantidade cada vez maior de dados em formato digital. Diversos programas com interface gráfica facilitam a manipulação desses dados por pesquisadores sem conhecimentos aprofundados de informática. No entanto, as possibilidades de uso dessas ferramentas se restringem às opções pré-definidas pelos seus criadores. Aprender a programar permite superar essa limitação, contribuindo, também, para aprimorar várias habilidades cognitivas, como a resolução de problemas, o raciocínio lógico etc. Por outro lado, programar constitui uma atividade lúdica e autoexpressiva (ZELLE, 2004; BAILLY, 2008). Nos últimos anos, Python se consolidou como uma das linguagens favoritas na área de text processing, que consiste na manipulação e exploração de textos eletrônicos. Outras vantagens de Python são a facilidade de uso e aprendizagem, a natureza de software livre e de código aberto bem como a vasta comunidade de programadores e usuários, que tem disponibilizado gratuitamente soluções para a realização das mais diferentes tarefas de processamento de linguagem natural. O Professor é um experiente pesquisador e professor na área de Linguística de Corpus/Computacional e PLN, havendo desenvolvido diversas ferramentas utilizando Python (http://goo.gl/FZ8Dpy), dentre elas, o conhecido anotador morfossintático AELIUS (http://aelius.sourceforge.net/).

Discurso, gênero e linguagem

Professor: Mónica Zoppi Fontana

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O curso almeja promover uma discussão teórica e metodológica sobre a problemática do gênero, sexo e sexualidade, a partir de um enfoque discursivo, com foco na descrição de textos de diversa natureza. O curso apresenta os resultados finais do projeto de pesquisa MULHERES EM DISCURSO. LUGARES DE ENUNCIAÇÃO E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO – CNPq (proce​s​so 487140/2013-3)CNPq, coordenado por Mónica G. Zoppi Fontana na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Serão analisadas práticas discursivas nas suas determinações históricas e ideológicas, descrevendo os processos pelos quais são produzidos sentidos e identificações de gênero, sexo e sexualidade, considerad​o​s em sua dimensão política (discursos de opressão, práticas discursivas de resistência, emergência e legitimação de lugares de enunciação).

A dupla face da prosódia na Aquisição da Linguagem oral: rompendo dicotomias

Professora: Ester Mirian Scarpa

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

A prosódia é um espaço por excelência de interface entre componentes linguísticos . Na linguagem inicial, os fatos prosódicos são os recursos linguísticos privilegiados nos primeiros anos de vida, num estágio de parcos recursos léxico-gramaticais. A prosódia tem dupla face na aquisição. É a via primordial de engajamento do infante no diálogo, sobretudo através de parâmetros como direção da curva, tessitura, velocidade de fala, intensidade, duração. Ao mesmo tempo, é veículo da organização das formas linguísticas, sobretudo através da estruturação dos sistemas de ritmo e entonação da língua materna. A prosódia estabelece a ponte inicial entre a organização formal da fala e o potencial significativo e discursivo da língua nos primeiros anos de vida.

Léxico e expressividade na língua portuguesa

Professora: Darcilia Simões

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

A proposta deste breve curso é a discussão dos recursos expressivos da língua portuguesa, articulados com os gêneros textuais e a variação linguística. Pretende-se analisar alguns textos e levantar-lhes os contornos expressivos, especialmente no que tange à seleção lexical e respectiva adequação à situação discursivo-comunicativa. Seguindo orientações estilístico-semióticas, buscar-se-á a iconicidade textual como elemento orientador da leitura.

Fonologia(s) Teórica e de Laboratório: Interfaces

Professores: José Magalhães e Ubiratã Alves

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Na última década, tem-se verificado uma grande quantidade de trabalhos que unem abordagens experimentais às explicações providas pela Teoria Fonológica (COETZEE; KAGER; PATER, 2009). Com a intensificação cada vez maior da Fonologia de Laboratório, mostra-se pertinente um curso que tenha por premissa promover uma interação entre os estudos teóricos em Fonologia e as abordagens experimentais. Esta proposta visa, justamente, a estabelecer essa ponte. Ao ser ministrado por dois professores da área de Fonologia com experiência em estudos teóricos e experimentais, o curso, de temática inédita na história dos Institutos da ABRALIN, pretende não somente a discutir de que modo as abordagens experimentais podem caminhar lado a lado com a Teoria Fonológica, mas também, abordar questões metodológicas que se mostram pertinentes para os estudos da percepção e produção do sons, associando tais resultados a modelos fonológicos que permitam esta interface.

Coerência, referenciação e argumentação em Linguística Textual

Professora: Mônica Magalhães Cavalcante

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Este curso toma como pressuposta a estreita relação entre construção da coerência e mobilização de estratégias argumentativas, dentre as quais o emprego de processos referenciais e de recursos intertextuais. Reconhecendo a relevância teórica entre a coerência numa dimensão sociocognitiva e discursiva, a organização tópica e a orientação argumentativa de um texto, este curso se dividirá em três etapas: na primeira, fará uma articulação entre as metarregras de coerência, os princípios de centração e organicidade e os mecanismos coesivos; na segunda, abordará a perspectiva discursiva da argumentação retórica adotada pela Linguística Textual; e, na terceira, demonstrará a participação fundamental dos processos referenciais do desenvolvimento argumentativamente orientado da coerência.

As Bases Teórico-metodológicas da Linguística Chomskyana

Professor: Maximiliano Guimarães

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Este curso é baseado no meu livro Os Fundamentos da Teoria Linguística de Chomsky (GUIMARÃES, M. 2017; editora Vozes), em particular nos capítulos 2 e 5. O público-alvo abrange linguistas de todos os níveis (do estudante iniciante ao profissional experiente e atuante), alinhados a qualquer escola ou abordagem, acolhendo em iguais condições (i) anti-chomskyanos ultra-críticos e combativos, (ii) chomskyanos convictos e praticantes, e (iii) agnósticos buscando conhecer os fatos e os argumentos que permeiam os acirrados debates em torno do arcabouço conceitual e empírico da linguística chomskyana. Há mais de seis décadas, a concepção chomskyana de gramática tem ocupado um lugar de destaque no desenvolvimento do grande campo de investigação da linguística como um todo. É impossível ignorar o legado chomskyano, como quer que nos posicionemos em relação a ele. Certas ou erradas, as propostas de Chomsky costumam ser originais e ousadas, despertando arroubos irracionais de amor ou ódio antes mesmo de serem examinadas. Infelizmente, muitos de seus followers e haters não compreendem sua obra. Tendo lido apenas fragmentos aleatórios ou resenhas de terceiros, perpetuam inverdades, subestimando, superestimando ou forjando méritos ou deméritos. Uns fi-cam imediatamente fascinados e outros imediatamente ofendidos pela proposta (herética?) de se investigar a linguagem humana com o arcabouço conceitual das ciências naturais, fora da jurisdição epistemológica das humanidades. Uns e outros imediatamente e acriticamente acatam ou descartam tal abordagem. Difundem alguma ‘versão pirata’ dela, sem reproduzir todos os pas-sos lógicos da argumentação nem prover os dados empíricos chave para defender ou criticar apropriadamente o paradigma chomskyano. Este curso (bem como o livro de origem) pretende desfazer tais confusões, guiando o estudioso em seu caminho rumo ao conhecimento da matéria, apontando as origens, as metas, as armadilhas, os atalhos e as pontes. Neste curso não tratará do aparato técnico de modelagem formal (sistemas algébricos, derivações, regras e princípios, representações arbóreas ou em colchetes), abordado nos capítulos 3 e 4 do livro. As aulas serão majoritariamente acessíveis àqueles que têm apenas um conhecimento básico de estrutura hierárquica de constituintes e familiaridade com as regras e os diagramas arbóreos mais elementares provenientes do estruturalismo bloomfieldiano: conteúdo típico de cursos introdutórios de sintaxe em nível de graduação. O tema do curso, de fato, são as bases teórico-metodológicas do paradigma chomskyano que permanecem majoritariamente inalteradas desde a sua incepção até hoje, sobrevivendo às muitas mudanças (maiores ou menores) no aparato técnico-analítico. Serão apresentadas a origem, a lógica e as aplicações de conceitos basilares relativos a: (i) o trata-mento dado aos fatos empíricos, os métodos de coleta e análise, e os critérios para se definir o estatuto de gramaticalidade/aceitabilidade de cada dado; (ii) a autonomia da sintaxe (em relação à semântica) e a legitimidade da abordagem sintaticocêntrica; (iii) o recorte epistemológico e a definição do objeto de estudo tomando-se a gramática como um fato natural, e não social; (iv) a proposta chomskyana para solucionar a tensão entre aspectos universais (invariáveis) e particulares (variáveis) que se coloca para toda e qualquer teoria linguística; (v) a razão de ser e o papel do elevado grau de abstração envolvido na teorização, que os antagonistas consideram excessivo, reducionista e irrealista diante da complexidade multifatorial dos atos de fala concretos; e (vi) as fortes evidências empíricas para a tese do inatismo gramatical e o caráter apodíctico da lógica argumentativa que a sustenta (enfatizando que o inatismo é uma conclusão, não um pressuposto). Os temas serão tratados a partir de um resgate das fontes bibliográficas primárias, de décadas atrás, traçando o percurso histórico das ideias desde o início até hoje. Serão levadas em consideração algumas das principais críticas contundentes ao paradigma chomskyano, avaliando-as quanto à cobertura empírica e à (in)consistência lógica.

A produção da linguagem: uma abordagem psicolinguística da fala e da escrita

Professora: Érica dos Santos Rodrigues

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O curso apresenta algumas das principais questões de pesquisa que têm norteado os trabalhos sobre produção da linguagem em uma perspectiva psicolinguística. A partir dos modelos originais de Levelt (1989) e de Bock & Levelt (1994), caracterizam-se as etapas da produção da linguagem falada, com destaque para a conceptualização da mensagem, a codificação gramatical e o monitoramento da fala. Com base em dados de lapsos de fala e em resultados experimentais, examinam-se os fatores que podem gerar interferência nos processos de produção da linguagem (Goldrick, Ferreira & Miozzo, 2014; Rodrigues, 2015). A produção da escrita também é abordada, buscando-se especificar as demandas cognitivas associadas aos diferentes momentos da escritura (Alamargot & Chanquoy, 2001; Beard et al. 2009). O emprego de ferramentas que gravam as ações do teclado (keyloggers) é considerado em termos de seu potencial investigativo para o estudo da escrita (Latif, 2008; Leijten & Van Waes, 2013). Discutem-se potenciais aplicações, para as áreas de saúde e de educação, dos resultados das pesquisas em produção da fala e da escrita.

Articulação Informacional: Abordagens Sintáticas e Semântico-Pragmáticas Recentes

Professor: Sérgio Menuzzi

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

A articulação informacional da frase codifica o modo como o falante acredita que sua frase contribui para a representação que o ouvinte tem do contexto discursivo: que informações são novas, ou velhas, como as primeiras se relacionam com as segundas, etc. Para analisar a organização deste aspecto da frase, a teoria linguística tem desenvolvido noções como as de “tópico”, “foco”, “pressuposição”, “contraste”. Neste curso, discutirei criticamente teorias recentes destas noções, seja em relação ao modo como são expressas sintática e prosodicamente (Cruschina 2011, Büring 2016), seja em relação à caracterização semântico-pragmática das noções de “tópico”, “foco”, etc. (Rooth 1992, Schwarzchild 1999, Büring 2003, Büring 2016). Sustentarei que: (a) quanto à codificação sintático-prosódica, há razões simplificar a relação entre sintaxe, prosódia e categorias informacionais, minimizando estruturas funcionais especializadas; (b) quanto à caracterização semântico-pragmática das categorias informacionais, há razões para acreditar que as básicas se limitam às articulações tópico/fundo (“ground”) e foco/asserção (cf. Lambrecht 1994).

Multimodalidade nos estudos linguísticos

Professora: Celia Magalhães

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Este curso tem como objetivo abordar a interface da multimodalidade com a linguística. Os estudos sobre a multimodalidade enfocam a contribuição da linguagem e de outros sistemas semióticos na construção de significados em diversos contextos de comunicação e representação. Na linguística, a descrição dos recursos de construção de significado na interação linguagem-imagem em vários gêneros (MARTIN, 1992; MARTIN & ROSE, 2007, 2008) e textos tem sido uma preocupação desde o início dos anos noventa. Pesquisas sobre a multimodalidade na linguística também enfocam a relevância da construção de significados na interseção de recursos de diferentes sistemas semióticos em contextos educacionais (MCCABE, O’DONNELL, WHITTAKER, 2007 e outros). Ressalta-se que profissionais de diferentes áreas, como a linguística aplicada, a análise do discurso e os estudos de tradução devem participar de forma colaborativa na pesquisa, teorização e expansão da metalinguagem de um campo em evolução. Este curso abordará a contribuição de modelos de leitura de imagens baseados na teoria linguística sistêmico-funcional para estudos de multimodalidade. Também abordará a tradução intermodal – os significados construídos na interseção da verbiagem (linguagem verbal) e imagens em uma série de textos produzidos em diferentes mídias.

Prosódia da fala expressiva: aspectos teóricos e metodológicos

Professores: Plínio Barbosa & Sandra Madureira

Data de Início: 02/05/2019
Data de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O interesse pela análise da fala expressiva tem se manifestado em termos do crescente número de propostas de pesquisa que abordam esse tipo de análise no campo das Ciências de Fala no cenário internacional e em razão de demandas concernentes a aplicações no campo da comunicação falada e da interação homem-máquina. Os pesquisadores, proponentes do curso, desenvolveram uma proposta de abordagem metodológica inédita destinada à análise da expressividade da fala alicerçada em fundamentos teóricos e procedimentos de natureza fonética experimental que vem sendo demonstrada em suas publicações. As bases teóricas a que recorrem os pesquisadores invocam a motivação das relações entre som e sentido e as discutem em termos dos códigos que embasam o simbolismo sonoro. A abordagem metodológica abarca o desenvolvimento de scripts dedicados à análise da fala expressiva, a adoção de métodos e instrumentais de análise que seguem critérios rigorosos no exame das características acústicas dos elementos prosódicos, na realização das medidas acústicas, na aplicação de testes estatísticos e na condução de experimentos de produção e de percepção. Ementa do curso: A expressividade da fala, o simbolismo sonoro e os códigos que sinalizam as características expressivas e impressivas da fala. O papel da prosódia na expressão e percepção de sentidos na fala. A percepção de características paralinguísticas e extralinguísticas a partir da prosódia expressiva. A análise acústica da prosódia expressiva. A análise perceptiva da prosódia expressiva. As bases teóricas, metodológicas e os instrumentais analíticos e estatísticos concernentes à investigação acústica e perceptiva da prosódia expressiva.

Introdução à Estatística para Linguistas

Professora: Livia Oushiro

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Linguistas têm atentado, cada vez mais, à necessidade de lidar com o tratamento quantitativo de dados empíricos. O objetivo deste minicurso é introduzir o pesquisador à prática de análises estatísticas na plataforma R, um programa gratuito que viabiliza maior flexibilidade no tratamento de dados e a realização de diversos tipos de computações gráficas e estatísticas. Serão apresentados os fundamentos dessa linguagem de programação, bem como noções básicas de estatística descritiva (elaboração de tabelas e gráficos) e de estatística inferencial (levantamento e teste de hipóteses por meio de testes-t, de qui-quadrado e de correlação), através de sessões práticas com exemplos de dados linguísticos. Os participantes deverão trazer um laptop e ter instalados certos programas e materiais, a ser divulgados aos inscritos antes do período do minicurso.

Documentação de línguas de sinais

Professores: Jair Barbosa & Rodrigo Nogueira Machado

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

Objetivos: – Discutir sobre a importância em documentar a Libras. – Analisar aspectos sobre a vitalidade da Libras. – Discutir sobre como documentar a Libras. – Analisar exemplos de análise de documentação da Libras. – Analisar formas de documentação da Libras considerando o quê, por quê e como documentar. Conteúdos: – Vitalidade da Libras. – Importância em documentar a Libras – Como documentar a Libras: identificar os participantes, organizar a coleta de dados, implementar as filmagens, organizar o arquivamento de dados, organizar os meta- dados, realizar a transcrição de dados, publicar os dados. – Formas de documentar a Libras: O quê? Por quê? Como? – Apresentação de análises de dados documentados previamente: dados sobre variação e dados sobre Codas. Procedimentos: – Aula expositiva sobre vitalidade da Libras e a importância de documentar esta língua. – Aula expositiva sobre documentação da Libras: como documentar a Libras. – Apresentação de exemplos de análises de dados documentados. – Grupos de trabalho: O quê documentar? Por quê? Para quê? – Apresentação dos trabalhos e discussão. Este curso será ministrado em LIBRAS.

Alfabetização para formar leitores e redatores competentes

Professora: Leonor Scliar-Cabral

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O minicurso se propõe a reflexão crítica sobre os fundamentos da alfabetização para a leitura e escrita, à luz dos avanços mais recentes da neurociência, da linguística, da psicolinguística, da neuropsicologia e das experiências exitosas nas SEMEDs de Lagarto (SE) e São José da Laje (AL). Ressaltam-se as descontinuidades entre a aquisição da linguagem verbal oral e a aprendizagem dos sistemas escritos, fruto da invenção cultural que culminou com a dos sistemas alfabéticos.

Translanguaging sob o prisma de política linguística

Professore: Kanavillil Rajagopalan

Dia de início: 02/05/2019
Dia de término: 04/05/2019

Vagas: 50

O curso procurará lançar luz sobre o fenômeno de translaguaging e sua gênese, relacionando-a com a realidade geopolítica que tem tido crescente impacto sobre toda a questão. A abordagem será a partir da perspectiva da Política Linguística. Serão examinadas as implicações no campo de ensino de língua(s)–materna e estrangeira–na nossa era de multimodalidade. Conforme a disponibilidade de tempo e o interesse dos participantes, serão discutidas algumas situações no mundo lá fora, em especial, na África, Ásia, onde sempre imperou multilinguismo e onde os povos ainda carregam vestígios da colonização europeia e sua heranças nefastas.